Oi pessoas!
Hoje estou transcrevendo os post de receitas do meu blog antigo "Cozinhando e Cantando". Como falei
aqui, a parte mais difícil de fazer um blog é escolher o nome, já que este traz consigo todo um reflexo dos objetivos e visão do blog (pelo menos é que se espera).
Desde 2006 que eu não blogava, depois de alegrias e dissabores com meu bloguezinho rudimentar da época, aquele vinculado ao msn ainda (foi nesse blog que eu conheci a Cris, amigona de Sampa, história que eu ainda tenho que contar). Aí, vontade de escrever sempre vem, mas sempre surgiam outros interesses que tiravam minha atenção. Mas desde 2009 que essa idéia de voltar a ter um blog vinha coçando na palma das minha mãos. O que travava era o nome. Como chamar um blog? E falar de quê? Se fosse criar um para cada tema, Jesus...
Em novembro passado optei por criar um blog culinário, e o chamei de "Cozinhando e Cantando". O cantando da situação era relativo a poemas. Depois de postar algumas experiências, eu descubro um blog com o mesmo nome (mas com outro endereço), bem mais antigo que o meu. Nossa, falha de principiante. Não procurei no Google se existia algo com o mesmo nome.
Eu já estava me sentindo um pouco limitada com o blog temático, porque eu não me sentia a vontade para falar sobre qualquer coisa lá. Ué, se era sobre culinária, não rimaria com política. No meio destes sentimentos, resolvi criar o queridinho "Um viva para a vida", este que você pisa neste instante, que pode falar sobre tudo, e deixei o outro de lado.
Bem, hoje resolvi desativar o "Cozinhando e Cantando", e vou transportar os post antigos para cá, para não perder as receitinhas. Vou transcrever abaixo a introdução que fiz lá, só para não deixar nada perdido no tempo.
Enfim, novamente blogando.
"Aqui estou, cantando."
Inicio com esse verso imortal de Cecília Meireles. Há muito desejo voltar a escrever um blog, coisa que não faço há mais de 4 anos, quando pisei nesta Bahia de Deus, e finquei o pé para crescer (e talvez dar frutos, quem sabe?) (por quanto tempo, não sei) (e mais um punhado de parênteses reflexivos). E a maior dificuldade, pasmem, leitores (ah, vocês hão de existir, não é mesmo?), é que sempre que surgia a inspiração, faltava o nome. E claro, sem nome e sem endereço, o blog não começa. Assim, o tempo passar, a escrita enferruja e o comodismo desarma. Hoje, cozinhando, a vontade de escrever foi crescendo, tomando corpo, e não é que surgiu um nome? Taí, "Cozinhando e Cantando", o nome se fez. E claro, até um blog tem sua historicidade, baseada é claro, na história de seu autor. Todo início é desejoso de apresentações, explicações e finalidades na mesa. Então, como fala na Bahia, 'bora lá.
Geraldo Vandré cantou "Pra não dizer que não falei de flores" em 1968, durante a ditadura militar, e a música virou um hino da resistência: "Caminhando e cantando e seguindo a canção (...)". Eu me inspiro muito neste verso, e o nome do blog vem daí. O cantando eu explico na voz de Cecília Meireles, a qual, na sua obra, se refere à sua poesia como sendo seu canto.
Resumindo, esse blog vai versar sobre culinária e poesia, é isso mesmo? É isso e não só isso. Aqui vai ser o meu mural de idéias, espaço para reflexão, crítica à sociedade, talvez. Vai servir para falar de sentimento, arte, cor, ciência, comida, bebida, viagem, poema, flor, peixe, amor, ou seja, todo meu cotidiano.
Seja bem-vindo, e sinta-se convidado a retornar aqui sempre. Um comentário seu será honra para mim. Na vida, até o silêncio nos grita seu significado, e isso eu também eu vou tentar aprender a escutar. Termino com o poema completo de Meireles.
Discurso - Cecília Meireles"E aqui estou, cantando.
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.
Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.
Pois aqui estou, cantando.
Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?"
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